• Show Florestal

Entrevista com Valdir Colatto, diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro



Em janeiro você completou um ano frente ao Serviço Florestal Brasileiro. Quais conquistas destacaria neste período?


O Serviço Florestal Brasileiro passou por uma transição, do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura. Com isso queremos fazer uma agenda positiva para o setor florestal, que seja sustentável, mas ao mesmo tempo desenvolvimentista. Temos uma visão econômica das florestas, que concilia o meio ambiente com produção sustentável.

Nosso primeiro e grande trabalho foi com o Cadastro Ambiental Rural (CAR). No início nós tivemos que treinar equipes para melhorar a segurança e o controle das informações. Hoje nós estamos com cerca de 6,4 milhões de propriedades cadastradas e 543 milhões de hectares levantados, faltando cerca de 10% para ser concluído. O próximo passo é fazer a análise dos dados coletados.


Também avançamos com as concessões florestais, principalmente no norte do Brasil, onde temos um milhão e cinquenta mil hectares concessionados. Projetamos até quatro milhões de hectares durante este governo. Começamos a trabalhar com as Florestas Nacionais (flonas) no sul. Temos projeto em andamento para fazer manejo sustentável nas flonas, que é a retirar árvores de pinus e eucalipto, plantadas no passado para fazer estoque de madeira, e substituir por araucária. Há também projeto para o manejo sustentável da araucária.


Está em andamento o Inventário Florestal Brasileiro, que hoje contempla praticamente a metade do Brasil. Está faltando parte da região Amazônica, onde ainda não conseguimos chegar, mas vamos trabalhar nisso ao longo do ano.


A atividade florestal é comprovadamente benéfica ao meio ambiente. Além de proteger áreas nativas, faz a captura de carbono ao mesmo tempo em que produz uma matéria-prima versátil e renovável. Uma das grandes reivindicações do setor tem relação com crédito de carbono e títulos verdes. Como esta questão está sendo tratada dentro do SFB?


Entendemos que a base deste processo é o Cadastro Ambiental Rural. Com o CAR será possível identificar os ativos florestais de cada propriedade e com isso monetizar ou quantificar os créditos de carbono, que é o pagamento por serviços ambientais. O Ministério da Agricultura tem um projeto chamado Finanças Verdes, que busca levantar estes ativos todos e valorar a questão do crédito de carbono para fazer a implantação definitiva. O governo federal está trabalhando muito forte em cima desta questão: green bonds, nesta nova comódite em potencial, que é a moeda verde. Os ministérios da Fazenda e da Agricultura estão trabalhando juntos e está caminhando bem, apesar da complexidade do tema. O sistema precisa ser válido tanto no Brasil com no exterior, pois a ideia também é captar recursos internacionais. E para isso o nosso trabalho precisa ser reconhecido lá fora, precisa de base e garantias. Hoje, com declaração, a responsabilidade é do produtor. A partir do momento que dermos a certificação essa responsabilidade passa a ser do governo.


Sabemos das dificuldades que grupos estrangeiros têm para investir no Brasil devido à impossibilidade legal para aquisição de áreas. Existe algum trabalho dentro do SFB neste sentido?


O governo é favorável, mas tudo isso precisa passar pelo congresso. Há um projeto de lei no congresso que não está conseguindo “emplacar”. A Frente Parlamentar da Agricultura está trabalhando muito forte nisso e se houver força política dentro do congresso ele será votado e aprovado. Fala-se em cerca de US$ 30 bilhões represados, que podem ser investidos no nosso país se a lei permitir que estrangeiros adquiram áreas no Brasil. Acredito que pela linha do governo e pelo esforço que estamos fazendo isto deva acontecer. Mas essa é uma decisão política que cabe ao congresso nacional. O projeto está lá, a Frente Parlamentar da Agricultura está assumindo isso, o Ministério da Agricultura apoia. Vale o trabalho da categoria, do setor de florestas plantadas, em pressionar o congresso e o governo para que isso aconteça o mais rápido possível.


Já temos um Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas elaborado e deferido e a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Florestas Plantadas bastante ativa. O que falta para o setor florestal brasileiro liderar o ranking mundial neste segmento?


Nós, brasileiros, demoramos para perceber este potencial. Um país tropical, com características únicas no mundo para o desenvolvimento de florestas. Temos cerca de 1,3, 1,4% do território ocupado com florestas plantadas, algo em torno de nove milhões de hectares. Mesmo assim, e esta é uma conversa que venho mantendo com a ministra Tereza Cristina, é preciso colocar as florestas plantadas no radar do Ministério da Agricultura. O Código Florestal já diz que silvicultura é uma atividade agrícola, isto é lei.


O setor produtivo ainda é muito afetado pela relação oferta/demanda. O que o poder público pode fazer para levar segurança aos que investem em florestas plantadas?


Buscamos viabilizar, através das secretarias do Mapa, uma linha de financiamentos, com carência e taxas compatíveis com o setor. Nossa dificuldade está em encontrar uma forma de viabilizar isso. Teremos reunião sobre o assunto nos próximos dias com a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Florestas Plantadas e pretendemos avançar com isso. Esperamos do setor propostas mais arrojadas para fazer a coisa andar.


O segmento de celulose caminha bem, nem tanto pela questão de incentivos, mas sim pelo câmbio e cotação do dólar. O que nós precisamos realmente é trazer de volta o uso da madeira, internamente. Agregar valor à madeira e estimular o consumo no Brasil. O Brasil tem um histórico dentro da construção civil em usar pedra, cimento e tijolo, apesar de termos madeira em abundância. Então estamos com um projeto para incluir casas de madeira nos programas de habitação popular do governo. Existem também pesquisas para desenvolver um "blend" com pinus, eucalipto e outra madeira mais dura, para atender a indústria de móveis de madeira reconstituída.


Temos muitos gargalos na questão da exportação de madeira. Existe uma briga na questão de exportar tora, madeira serrada, lâminas ou móveis. Queremos deslanchar e colocar a madeira de florestas plantadas no lugar que deve estar. É a terceira comóditie do Brasil e parece que nosso país ainda não acordou para isso.


Existe alguma ação na parte de pesquisa, em como agregar valor à madeira?


O Serviço Florestal Brasileiro tem um laboratório que estuda produtos alternativos de madeira e o que é possível fazer com cada tipo de madeira. O objetivo é estimular o plantio de árvores que sejam economicamente viáveis para a produção de madeira. Agora, com a possibilidade de 50% da área de Reserva Legal poder ser plantada e manejada com árvores exóticas, abre-se um mundo de possibilidades. Este laboratório fica em Brasília e lá fazemos análises de qualidade de madeira, de produtos não madeiráveis. Estas instalações estão à disposição do setor para o que for preciso. Para pesquisar sobre pragas ou doenças que atinjam as florestas, clonagem e todo tipo de tecnologia. Temos termo de colaboração técnica com a Embrapa e buscamos uma aproximação com todos os órgãos de pesquisa.

207 visualizações
Endereço Malinovski:

Rua Prefeito Ângelo Lopes, 1860
Hugo Lange - Curitiba - Paraná
CEP - 80040-252

Telefone:

+55 (41) 3049-7888 | +55 (41) 99924-3993

Organização:

Malinovski-alem-da-floresta_branco.png

Apoio Master:

Siga-nos nas redes sociais
  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram
  • Branca Ícone LinkedIn
  • Branca ícone do YouTube